Sons da Mata

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Metodologia


A iniciativa de falar um pouco sobra a forma de trabalho musical do grupo se deu pela vontade de apresentarmos um pouco de nossa rotina diária. Utilizando a palavra metodologia por ser mais didática, porém acreditamos que o trabalho não se restringe a um método, mas envolve um somatório de influências e interfaces.
Tendo como um dos norteadores principais os grupos tradicionais e sua forma de transmissão/assimilação e execução de sua música, observamos que os conhecimentos musicais são apreendidos de forma espontânea e prazerosa.
Buscamos também referências no Taoísmo, enquanto “um caminho seguido por acontecimentos naturais, caracterizado pela criatividade espontânea, assim como a primavera seguida do verão e a noite do dia”. (Livro: "O tao da voz"- Sthefen Chun- Tao Cheng).
O símbolo chinês para música é “iuê”, que também quer dizer “feliz” ou “felicidade” quando pronunciado “lo”. Assim, música e felicidade estão muito ligadas podendo se tornar uma coisa só. Dialogando com essas referências procuramos criar no grupo antes de tudo um florescimento humano, trazendo para o coletivo a experiência, a cultura e a educação de cada participante. Numa investigação contínua, procuramos o desenvolvimento de nossas potencialidades mentais, do corpo, do coração e musicais de forma prazerosa, fazendo essa viagem juntos.

Etapas do trabalho diário:


Aquecimento corporal
Iniciamos nossas práticas com exercícios de concentração, relaxamento, respiração profunda, que geram um fluxo de energia para falar, cantar e tocar e acima de tudo, em sintonia com o Tao, na formação do equilíbrio entre corpo, mente e espírito.Exercício 1: “Galo dourado de pé numa perna só”.
Consiste em ficar de pé com as pernas unidas, numa postura relaxada e flexível; olhar para frente, ternamente. Inspiramos e elevamos ao mesmo tempo perna e braço direitos, até o dedo angular atingir o nível das sobrancelhas, em movimento contínuo e suave. Ao expirar, descemos a perna e o braço até tocar o chão. Reinicia o movimento de inspiração e subida alternando assim braços e pernas, inspiração e expiração. Muito bom para concentração, aprofundamento da respiração e geração de energia vital.

Exercício 2: “girando em torno do sol”.
Posicionamos com as pernas ligeiramente abertas. Dobramos os joelhos e relaxamos os braços ao longo do corpo com o tronco abaixado. A partir daí, imaginamos estar segurando uma bola e giramos em volta do corpo, lembrando sempre de inspirar ao subir e expirar ao descer. Realizamos três vezes para cada lado. Ao imaginarmos que a bola e nossos quadris estão girando em torno do sol, sentimos a capacidade de expansão de nosso ser e a vibração e energia existente em cada um de nós.

Exercício 4: sopro Ha.

Exercício respiratório utilizado na Hatha Yoga , desenvolvida no Brasil pelo Prof. Hermógenes onde nos posicionamos de forma ereta.
Iniciamos uma inspiração completa, levantando os braços esticados até o alto da cabeça. Retemos o ar contando até três e aí então, baixamos o tronco e braços expulsando o ar pela boca num sonoro ha. Repetimos o processo, lembrando que a inspiração e expiração devem ser realizadas pelo nariz. Beneficia a limpeza das vias respiratórias e refresca a circulação sanguinea, além de trabalhar contra a depressão e o desânimo.












Aquecimento vocal


Exercício 1:

Utilizamos a imagem do movimento circular contínuo e a interação de forças opostas (Yin e Yang) nesses exercícios. Como imagens podemos pensar em rodas em suas mais variadas formas, como uma ciranda, um Cd girando...
Começamos o círculo fixando um ponto entre e atrás das sobrancelhas, o “centro do espírito”, esse círculo continua a partir desse ponto ao “centro de energia vital”, localizado mais ou menos cinco centímetros abaixo do umbigo. Ao inspirarmos imaginamos o ar descendo do "centro do espírito" até o "centro de energia vital"; ao expirar imaginamos que o ar continua descendo pelo "centro de energia vital" até a base da coluna, depois subindo por ela, percorrendo a parte de trás do pescoço até a coroa da cabeça; ao inspirar reiniciamos o processo.



Exercício 2:

Imaginamos que nosso abdômen é um balão. Apoiamos nossas mãos ao lado e abaixo das costelas e inspiramos enchendo o balão; retemos um pouco o ar e soltamos em ssss... Repetimos algumas vezes. Fazemos então a respiração do fole, onde mantemos as pernas afastadas, abaixamos a cabeça e apoiamos as mãos nas pernas. Ispiramos, retemos um pouco o ar e ao expirar soltamos em sss... “jatos de ar” impulsionando nosso abdômen como um fole, ao final soltamos todo o restante do ar.
Voltamos à posição ereta inspiramos e soltamos o ar em trrrr... brrrr... e barulhinhos de beijo para aquecimento das cavidades internas de nossa caixa craniana e órgãos formadores.
Realizamos um pequeno vocalize em boca quiuza e uma pequena melodia em escala ascendente e decrescente. Passamos então as vozes na música “Tapete Batumã” para aquecimento e afinação do grupo.






Método O Passo

Em 2004 tomamos contato com esse método desenvolvido por Lucas Ciavatta e notamos sua eficácia no trabalho do ensino - aprendizagem de ritmos e da pulsação, tendo como base musicais a própria pulsação e o movimento musical. Trabalhando através da simples proposta do andar em sincronia, o método gera a presença de uma pulsação constante em um descolamento e organização corporal do grupo. Havendo fluência no movimento, haverá fluência no tocar.
Executamos um exercício elementar de imaginar um quadrado, andar em seus vértices, primeiramente falando os números, depois trabalhando com som, silêncio e palmas. Passamos então para a Folha do Passo como exemplo de uma partitura de aproximação, uma vez que nem todos do grupo são ainda iniciados na escrita musical formal. Primeiramente falamos os números e no lugar dos parênteses fazemos silêncio, depois substituímos os números por palmas e mantemos o silêncio nos parênteses.










Método Uakti

Em 2005, com oficinas realizadas pelo Uakti em Leopoldina, demos o início efetivo ao grupo Sons da Mata. De lá pra cá, algumas coisas mudaram e todas as propostas musicais passaram a ser experimentadas e construídas sob uma nova dica: "o ritmo não é mais medida e sim visão de mundo. É um ir em direção a alguma coisa, ainda que não saibamos o que seja. O tempo por sua vez, não está fora de nós, possui sua direção, um sentido, porque ele nada mais é que nós mesmos. Não é o que foi nem o que está sendo, mas o que está se fazendo". O que está sendo gerado no momento da criação musical e depois como recriação quando a platéia revive as imagens dos músicos e convoca de novo o passado que revive.
Mostramos então um pouco dessa criação musical coletiva do grupo, organizando-se ritmicamente no tempo em direção a alguma coisa. Como ferramentas utilizamos os tubos de PVC criados por Marco Antônio Guimarães e em reminiscências sonoras onde o “tempo é arquetípico, e o passado um futuro disposto a se realizar num presente”.)( Referências do texto: "O Arco e a Lira"-Otávio Paz
).



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